
Estive em SP nesse fim de semana pra um casamento e vi o pessoal concentrando na praça do Ciclista para a Bicicletada, sexta-feira à noite.
ô, se a Violeta estivesse ali.
Já no sábado, vi, bem feliz, um pessoal transportando bike no primeiro vagão do metrô. E bicicletários nas estações. E, mais que isso, gente pedalando na rua (inclusive, “cycle chic” é uma coisa que funciona muito bem em SP). Amiga querida citou o assassinato da Márcia na Paulista, contestando o risco de morte para quem anda de bicicleta no trânsito paulista. Assunto que me deixa inquieta, super inquieta. Penso em argumentos esparsos, como os seguintes:
1- Muuuuita gente morre no trânsito todo dia, sobretudo pedestres. Vamos deixar de sair à rua para não sermos atropelados numa faixa de pedestres ou mesmo em calçadas?
2 – No Brasil, muitas políticas públicas só surgem com o aumento de determinada demanda. Quanto às bicicletas, alguém tem de começar a criar essa demanda, e já vimos que a demanda criada gerou políticas ainda tímidas, como os bicicletários do metrô, a ciclofaixa de lazer e a ciclovia da marginal. São Paulo ainda não chegou a 1% de deslocamentos diários em bicicleta. É torcer para as políticas aumentarem também conforme a demanda.
3 – A Márcia Prado não morreu como uma ativista. Ela não foi um alvo propositado como um Gandhi ou um Luther-King. Ela morreu fazendo uso da bicicleta como uma cidadã comum. Bicicleta, em muitos lugares do mundo, não é bandeira de luta. É só um meio de transporte eficiente. Por que ligar o transporte por bicicleta a um movimento social? Talvez porque movimentos sociais não gozem de prestígio no Brasil e, ligando a bicicletada a movimentos que a mídia e a opinião pública gostam de tachar como “baderneiros”, fica mais fácil tapar o sol com a peneira.
E como estamos em Porto Alegre? Em Porto Alegre, el buracón é mais embaixo. A demanda é vista mas nada se faz. E, por enquanto, nada de pressão política efetiva. Enquanto usuária de bicicleta, faço minha mea culpa.
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