O trânsito nos jornais de Porto Alegre

Alguns dos colunistas dos principais jornais da cidade estão de olho nos efeitos do trânsito intenso nas vias da capital gaúcha:

– Na coluna Começo de Conversa do Jornal do Comércio de hoje:

Decifra-me…

… ou te devoro. Em 2007, o Rio Grande do Sul recebeu 100 mil automóveis e caminhonetes, mais 12 mil caminhões. Se fizermos um cálculo de cinco metros por veículo isso significa 500 quilômetros. Mais os caminhões, 120 quilômetros. O que dá de Porto Alegre a Uruguaiana. Isso fora as motos. Vai faltar rua, estacionamento e estrada. 

– Na coluna de Rogério Mendelski no Correio do Povo de 17/05:

VAI UM CARRO EM 99 VEZES?

São 99 módicas prestações oferecidas à chamada ‘classe C’, para que ninguém fique sem um carro na garagem. Foi assim que uma revenda em São Paulo vendeu 600 veículos em apenas dois dias. Quem comprou não estava interessado num compromisso mensal de exatos oito anos e três meses. ‘O importante é mostrar para o meu vizinho que posso ter um carro zero enquanto ele ainda anda de ônibus. Tudo bem, é um automóvel 1.0 que nem sei se vai durar tanto quanto as prestações, mas isso eu resolvo lá adiante.’
Alguém duvida deste raciocínio que está na cabeça do consumidor que se emocionou com a publicidade das revendas em busca de novos clientes? Nos últimos 12 meses, 2 milhões de carros novos entraram para o trânsito brasileiro e ainda tem autoridade que acha que pode resolver os grandes congestionamentos apenas com inversão de mão em algumas perimetrais e avenidas de acesso aos grandes centros urbanos de nossas capitais. Mais do que vender carros em até 99 prestações, o fenômeno atual do mercado automobilístico brasileiro é a venda de uma ilusão, de um sonho de consumo nacional que tem como mote a sugestão que empurra o assalariado da ‘classe C’ a um raciocínio simplista: ‘Se a prestação é ‘apenas’ 30% dos quatro salários mínimos que recebo, vou encarar um carro zero!’. É o que se pode chamar de consumo por imposição publicitária. Até mesmo o ex-presidente da GM do Brasil Ray Young assustou-se com a rapidez do mercado nacional e chegou a manifestar a sua preocupação com a possibilidade de termos em nossa economia uma crise de financiamento como a ocorrida nos EUA com a venda de imóveis a longo prazo. ‘O financiamento de carros pode ser o nosso subprime’, disse Young.
Só na cidade de São Paulo, entram no trânsito mais de 10 mil veículos novos por mês, sendo que 90% deles são financiados a longo prazo. Um carro zero não custa apenas a prestação mensal, mas o comprador por impulso só faz esse cálculo, esquecendo-se do seguro, da manutenção com combustível, do IPVA e até de possíveis infrações.
No Brasil consumista de hoje, das 99 mensalidades, um velho ditado foi esquecido por aqueles que se atiram na aventura do carro zero antes de possuírem a casa própria que pode ser financiada em cem prestações: ‘Primeiro se compra um imóvel, em seguida os móveis e só depois o automóvel’.

Outrros jornais também trataram da questão desde sábado. Ao longo da semana, vou colocando o que conseguir garimpar por aí.

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