Mobilidade acadêmica

A partir desta segunda-feira, 22/03, a FURG (Fundação Universidade Federal do Rio Grande) disponibilizará a funcionários e estudantes um serviço de aluguel gratuito de bicicletas, com 50 unidades, para locomoção e prática de exercício dentro do campus Carreiros. O bicicletário fica em frente ao restaurante universitário e vai interligar os 230 hectares do campus e seus prédios e estabelecimentos.  Bem que podia rolar uma iniciativa assim no campus do Vale da UFRGS, né não? Baita exemplo.

Foto: Divulgação FURG

Bike entrevista

Faz um tempão que estou para inaugurar essa seção no Bike Drops:  a rotina de quem anda de bicicleta em Porto Alegre, contada pelos próprios ciclistas. Hoje, quem narra suas pedaladas na cidade e, também, fora dela, é o fotógrafo Eduardo Seidl, que também é o autor das duas imagens que ilustram a entrevista.

foto: Eduardo Seidl

 

Bike Drops: Há quanto tempo tu usas a bike pro teu transporte regular?
Eduardo: Comecei a andar de bici na infância, como a maioria. Durante o segundo grau, em Caxias do Sul, comecei a ir ao colégio de bicicleta. Ficava uns 6 ou 7 km de casa. Nos finais de semana íamos para umas cachoeiras nas cercanias. Variava entre 30 e 40 km entre ida e volta. A bicicleta é uma ferramenta de autonomia, com custo baixíssimo. Alem disto tem o prazer de tu circular com a cara no vento, sentindo o movimento da cidade. Desta forma que está o transito de Porto Alegre, em poucos anos a cidade estará imóvel em certo trechos. O centro de Porto Alegre é um funil entupido.

foto: Eduardo Seidl

Bike Drops: Em que situações tu usas mais a bike? 

Eduardo: Teve épocas que inclusive às festas ia de bicicleta. É ótimo pedalar na noite, inclusive depois de um vinhozito, fica mais divertido. Não que esteja sugerindo a combinação bicicleta e álcool. Além do uso diário urbano, já usei a bicicleta também para viagens. Em 2004 fiz a Estrada do Mar, sai de Osório, por Morro Alto, ao amanhecer. Entrei para Capão da Canoa pela RS-407 e cheguei em Torres no final da tarde. Foram 90km com uma duas boas paradas. O vento estava contra, quero dizer contra a minha pessoa, inimigo íntimo. Em 2006, na companhia do Rafael “Pé” Arruda, fomos de Chuy a Montevideo pela Ruta 9 e 1. Foram seis dias no mês de julho, dos quais quatro choveram feio. Uma viagem destas tem que ser feita na hora que dá na idéia. Se ficar planejando esperando a melhor estação, não sai. Estávamos jantando e percebemos que ambos tinham uns dias disponíveis, umas 36 horas depois estávamos na estrada. O mais delicioso foi encontrar a provocação da placa de trânsito perto de Punta Balenas. Tenho mais uma vontade, que é descer a Rota do Sol, desde Gramado a Torres. Tirando as monoculturas de árvores, a paisagem é deslumbrante.

Bike Drops: Chegaste a trocar o carro pela bike? Se sim, como foi essa mudança?

Eduardo: Nunca tive carro próprio. Só os emprestados pelos familiares. Se não vou de bici uso transporte público, o problema é a demora. Entre o Bom Fim e o Centro, por exemplo, é mais rápido de bicicleta.

Bike Drops: Qual é o teu caminho no dia-a-dia? Quais as características? O que te chama a atenção, para bem e para mal?

Eduardo: Bom Fim, Cidade Baixa, Menino Deus, Cristal, Floresta, Auxiliadora, Petrópolis. Não são trajetos muito longos e nem muito acidentados. Sempre tem como contornar por um caminho menos inclinado. Como Porto Alegre não tem uma ciclovia funcional, a forma é se meter no trânsito. Com o tempo vi que o melhor é usar a pista. Ocupar é a forma de fazerem respeitar o teu espaço. É a forma também de tu fazer fluir o percurso. Usar capacete, mas não se fiar de que vão te dar a preferência como com uma moto, mão no freio sempre. Bicicletas são invisíveis para algumas pessoas.

Bike Drops: Tu notas alguma mudança (pra melhor ou pior)  no comportamento dos motoristas? Como é tua interação com eles?

Eduardo: O melhor contato que tu podes ter é no olho do motorista.  Certificar-se que ele te viu. Fora alguns casos vejo que as pessoas estão respeitando, ainda mais quando vêem que tu estás respeitado as regras de trânsito, como um veículo de transporte. A vantagem é que a bicicleta pode circular tanto em vias como espaços peatonais. Sempre respeitando a preferência do menor, a bicicleta é que desvia das pessoas. Assim como se espera que um carro não passe rente a ti em alta velocidade. 

Bike Drops: Que medidas achas que facilitariam o teu transporte diário?

Eduardo: A primeira medida que tomei foi presentear minha namorada com uma bicicleta. A questão das ciclovias é muito importante, mas pode ser compensada pelo respeito do motorista ao ciclista. Diminuir a quantidade de carros nas ruas. A pior preocupação é onde deixar a bicicleta em certos lugares. Eu procuro descobrir lugares amigáveis onde permitem deixá-la guardada, para não largar amarrada em qualquer calçada. Seria bonito ver prédios públicos ou de grande fluxo de pessoas, instalarem bicicletários. Seria um incentivo, além de uma forma de expressar respeito pela qualidade do ar, pelo bem estar da população. Mesmo que seja simplesmente pelo marketing institucional, como está na moda. Mercados, cinemas e centros de cultura seriam os primeiros a dar o exemplo. Da mesma forma que se sugere convidar o vizinho para uma carona ao trabalho, convide ele para ir de bicicleta. Talvez em companhia, esta pessoa toma coragem de experimentar um dia de bicicleta na cidade. Um carro a menos.

Tour du monde

A largada do Tour de France, a maior e mais tradicional volta ciclística do mundo, será em Roterdã neste ano. O vídeo promocional da prova foi feito exaltando uma das melhores coisas da cidade – assim como de tantas outras na Holanda: o trânsito cotidiano de bicicletas e seu uso integrado a outros meios de transporte na cidade. A emoção do esporte somada ao exercício pleno do ir-e-vir, coisa na qual nós, brasileiros, ainda somos “subdesenvolvidos”.

Lá estão as ruas, cheias de gente que se move de todas as maneiras – inclusive de carro. Diferente dos comerciais de automóveis, em que a rua sempre está deserta e o motorista fictício pode exercer a ilusão da velocidade. Mas ainda vamos muito devagar: nos engarrafamentos e na iniciativa da mudança.

Citando o blog da ONG Transporte Ativo: “Os atletas internacionais tornam-se menores diante das pedaladas cotidianas, que definem o caminho que de toda uma cidade em direção ao futuro que almeja”.

Bofe bem

Imagem: divulgação GNT/Globosat

Não bastassem os fatos de que Raí ajudou a levar o São Paulo à excelência futebolística, ter escolhido jogar no Paris St. Germain porque Paris é tudo de bom, ter fundado, junto com Leonardo, a Fundação Gol de Letra e ser um homem inteligente, articulado e lindo (tudo isso sem precisar ser metrossexual), ele ainda declara publicamente a importância de priorizar outros meios de transporte na cidade, a bicicleta inclusa. Cycle chic autêntico em versão brasileira. 😀

– No jornal mineiro O Tempo, Raí fala como se locomove para seu escritório e para a fundação.

– No novíssimo caderno Nosso Mundo Sustentável, da Zero Hora, o ex-jogador fala como a bicicleta deixou seu dia-a-dia mais relax. O jornal também traz outra matéria, sobre os incentivos concedidos às empresas que estimulam o uso da bicicleta por seus funcionários (por enquanto, só no exterior).

And the bike goes to…

Tá, sei que não é um tema tão original, mas, em clima de Oscar (estou torcendo muito por “Preciosa”), fiquei com vontade de lembrar os filmes que têm as bicicletas tanto como tema central quanto a usam como um meio de transporte para levar o espectador aos risos ou às lágrimas. Como fora das telas a realidade fala mais alto, bicicleta serve mesmo é para nos levar de um ponto a outro da maneira mais rápida (pelo menos no horário de pico!). Finda a digressão, here are the bike nominees…

Butch Cassidy and Sundance Kid

Ganhador de quatro Óscares em 1970, o filme estrelado por Robert Redford, Paul Newman e Katharine Ross traz uma das cenas mais sedutoras do cinema (na minha modesta opinião), que é o passeio de bicicleta acima. Afinal, que moça de família não quer se perder na garupa do Paul Newman?

Ladrões de Bicicleta

Podia ser você e a sua Barraforte. No filme do italiano Vittorio de Sica, o desempregado Antonio Ricci empreende uma busca angustiada, ao lado do seu filhinho, para recuperar a bicicleta roubada que ele precisava para conseguir um trabalho. 

 As bicicletas de Belleville

Estilo retrô, uma avozinha portuguesa, figuras ameaçadoras e esquisitas às voltas com o sequestro do superciclista Champion durante o Tour de France. Detalhe para a transformação do campeão, de um gordinho simpático em cima do triciclo, em uma máquina de pedalar com coxas fenomenais. 😉

ET, o Extraterrestre

Existia coisa mais fascinante para uma criança em 1982 que dar uma volta numa Caloi Cross à luz da lua?

O Banheiro do Papa

Retrata o perigoso e sofrido cotidiano de um grupo de pequenos contrabandistas em trânsito entre o Uruguai e o Brasil à época da visita do Papa João Paulo II em 1980. Nessa época, a única coisa em que Beto pode confiar é na resistência de suas pernas e na agilidade de sua bicicleta.

Caminho das Nuvens

Roadmovie movido a pedal, o filme de Vicente Amorim traz Wagner Moura como um pai de família que enfrenta 3.200 km em busca de uma vida melhor.

(Claro que faltaram vários filmes, mas quem quiser lembrar de alguns na caixa de comentários, sinta-se à vontade! ;-))

Quilômetros de poesia

Enquanto os lisboetas e seus turistas pedalam sobre o “Guardador de Rebanhos” do Alberto Caeiro, nós ouvimos palavras vazias da Prefeitura de Porto Alegre quanto à implantação de míseros 18 km de ciclovias prometidas já há dois anos (e que, pelo jeito, nem a proximidade de uma Copa do Mundo está fazendo desencantar). Ao contrário, o número de carros só aumenta em detrimento da necessidade de compartilhar espaços.

O video visto no site Copenhagenize me faz sonhar com situações melhores, assim como Fernando Pessoa me faz sonhar com o Tejo.

Microblog pedalante

Vedete das redes sociais, o Twitter também tem espaço para as bicicletas. Em 140 caracteres, o pessoal sugere links, desabafa as dificuldades de pedalar na cidade e dá notícias relevantes para a conquista do espaço urbano. Eu também estou lá, mas não como pessoa ciclística, rs. @superflower78

Abaixo, alguns perfis “ciclísticos”. Dá um follow!

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