Bike entrevista

Faz um tempão que estou para inaugurar essa seção no Bike Drops:  a rotina de quem anda de bicicleta em Porto Alegre, contada pelos próprios ciclistas. Hoje, quem narra suas pedaladas na cidade e, também, fora dela, é o fotógrafo Eduardo Seidl, que também é o autor das duas imagens que ilustram a entrevista.

foto: Eduardo Seidl

 

Bike Drops: Há quanto tempo tu usas a bike pro teu transporte regular?
Eduardo: Comecei a andar de bici na infância, como a maioria. Durante o segundo grau, em Caxias do Sul, comecei a ir ao colégio de bicicleta. Ficava uns 6 ou 7 km de casa. Nos finais de semana íamos para umas cachoeiras nas cercanias. Variava entre 30 e 40 km entre ida e volta. A bicicleta é uma ferramenta de autonomia, com custo baixíssimo. Alem disto tem o prazer de tu circular com a cara no vento, sentindo o movimento da cidade. Desta forma que está o transito de Porto Alegre, em poucos anos a cidade estará imóvel em certo trechos. O centro de Porto Alegre é um funil entupido.

foto: Eduardo Seidl

Bike Drops: Em que situações tu usas mais a bike? 

Eduardo: Teve épocas que inclusive às festas ia de bicicleta. É ótimo pedalar na noite, inclusive depois de um vinhozito, fica mais divertido. Não que esteja sugerindo a combinação bicicleta e álcool. Além do uso diário urbano, já usei a bicicleta também para viagens. Em 2004 fiz a Estrada do Mar, sai de Osório, por Morro Alto, ao amanhecer. Entrei para Capão da Canoa pela RS-407 e cheguei em Torres no final da tarde. Foram 90km com uma duas boas paradas. O vento estava contra, quero dizer contra a minha pessoa, inimigo íntimo. Em 2006, na companhia do Rafael “Pé” Arruda, fomos de Chuy a Montevideo pela Ruta 9 e 1. Foram seis dias no mês de julho, dos quais quatro choveram feio. Uma viagem destas tem que ser feita na hora que dá na idéia. Se ficar planejando esperando a melhor estação, não sai. Estávamos jantando e percebemos que ambos tinham uns dias disponíveis, umas 36 horas depois estávamos na estrada. O mais delicioso foi encontrar a provocação da placa de trânsito perto de Punta Balenas. Tenho mais uma vontade, que é descer a Rota do Sol, desde Gramado a Torres. Tirando as monoculturas de árvores, a paisagem é deslumbrante.

Bike Drops: Chegaste a trocar o carro pela bike? Se sim, como foi essa mudança?

Eduardo: Nunca tive carro próprio. Só os emprestados pelos familiares. Se não vou de bici uso transporte público, o problema é a demora. Entre o Bom Fim e o Centro, por exemplo, é mais rápido de bicicleta.

Bike Drops: Qual é o teu caminho no dia-a-dia? Quais as características? O que te chama a atenção, para bem e para mal?

Eduardo: Bom Fim, Cidade Baixa, Menino Deus, Cristal, Floresta, Auxiliadora, Petrópolis. Não são trajetos muito longos e nem muito acidentados. Sempre tem como contornar por um caminho menos inclinado. Como Porto Alegre não tem uma ciclovia funcional, a forma é se meter no trânsito. Com o tempo vi que o melhor é usar a pista. Ocupar é a forma de fazerem respeitar o teu espaço. É a forma também de tu fazer fluir o percurso. Usar capacete, mas não se fiar de que vão te dar a preferência como com uma moto, mão no freio sempre. Bicicletas são invisíveis para algumas pessoas.

Bike Drops: Tu notas alguma mudança (pra melhor ou pior)  no comportamento dos motoristas? Como é tua interação com eles?

Eduardo: O melhor contato que tu podes ter é no olho do motorista.  Certificar-se que ele te viu. Fora alguns casos vejo que as pessoas estão respeitando, ainda mais quando vêem que tu estás respeitado as regras de trânsito, como um veículo de transporte. A vantagem é que a bicicleta pode circular tanto em vias como espaços peatonais. Sempre respeitando a preferência do menor, a bicicleta é que desvia das pessoas. Assim como se espera que um carro não passe rente a ti em alta velocidade. 

Bike Drops: Que medidas achas que facilitariam o teu transporte diário?

Eduardo: A primeira medida que tomei foi presentear minha namorada com uma bicicleta. A questão das ciclovias é muito importante, mas pode ser compensada pelo respeito do motorista ao ciclista. Diminuir a quantidade de carros nas ruas. A pior preocupação é onde deixar a bicicleta em certos lugares. Eu procuro descobrir lugares amigáveis onde permitem deixá-la guardada, para não largar amarrada em qualquer calçada. Seria bonito ver prédios públicos ou de grande fluxo de pessoas, instalarem bicicletários. Seria um incentivo, além de uma forma de expressar respeito pela qualidade do ar, pelo bem estar da população. Mesmo que seja simplesmente pelo marketing institucional, como está na moda. Mercados, cinemas e centros de cultura seriam os primeiros a dar o exemplo. Da mesma forma que se sugere convidar o vizinho para uma carona ao trabalho, convide ele para ir de bicicleta. Talvez em companhia, esta pessoa toma coragem de experimentar um dia de bicicleta na cidade. Um carro a menos.

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