Planos da Houston

Com informações da assessoria de imprensa da Houston Bikes:

Com atuais 16% de participação no mercado de bicicletas, a piauiense Houston pretende, até o fim de 2010, crescer em torno de 40%, expandindo sua atuação e buscando liderança (também presente nas linhas fitness e ventiladores) também em outras regiões do Brasil. A empresa, capitaneada pelo diretor-presidente João Claudino Junior, quer fechar o ano com a marca de 1 milhão de bicicletas vendidas desde a sua inauguração há dez anos.

Vale lembrar que a Houston está investindo em merchandising para reforçar sua lembrança junto ao consumidor: sua linha speed de bicicletas está na novela das oito da Rede Globo, usada pelos mocinhos ciclistas da trama.

Impressões paulistanas

Estive em SP nesse fim de semana pra um casamento e vi o pessoal concentrando na praça do Ciclista para a Bicicletada, sexta-feira à noite. 🙂 ô, se a Violeta estivesse ali. 😀

Já no sábado, vi, bem feliz, um pessoal transportando bike no primeiro vagão do metrô. E bicicletários nas estações. E, mais que isso, gente pedalando na rua (inclusive, “cycle chic” é uma coisa que funciona muito bem em SP). Amiga querida citou o assassinato da Márcia na Paulista, contestando o risco de morte para quem anda de bicicleta no trânsito paulista. Assunto que me deixa inquieta, super inquieta. Penso em argumentos esparsos, como os seguintes:

1- Muuuuita gente morre no trânsito todo dia, sobretudo pedestres. Vamos deixar de sair à rua para não sermos atropelados numa faixa de pedestres ou mesmo em calçadas?

2 – No Brasil, muitas políticas públicas só surgem com o aumento de determinada demanda. Quanto às bicicletas, alguém tem de começar a criar essa demanda, e já vimos que a demanda criada gerou políticas ainda tímidas, como os bicicletários do metrô, a ciclofaixa de lazer e a ciclovia da marginal. São Paulo ainda não chegou a 1% de deslocamentos diários em bicicleta. É torcer para as políticas aumentarem também conforme a demanda.

3 – A Márcia Prado não morreu como uma ativista. Ela não foi um alvo propositado como um Gandhi ou um Luther-King. Ela morreu fazendo uso da bicicleta como uma cidadã comum. Bicicleta, em muitos lugares do mundo, não é bandeira de luta. É só um meio de transporte eficiente. Por que ligar o transporte por bicicleta a um movimento social? Talvez porque movimentos sociais não gozem de prestígio no Brasil e, ligando a bicicletada a movimentos que a mídia e a opinião pública gostam de tachar como “baderneiros”, fica mais fácil tapar o sol com a peneira.

E como estamos em Porto Alegre? Em Porto Alegre, el buracón é mais embaixo. A demanda é vista mas nada se faz. E, por enquanto, nada de pressão política efetiva. Enquanto usuária de bicicleta, faço minha mea culpa.