Minha primeira Massa Crítica

Mesmo com mais de dois anos de Bike Drops (ou seja, tendo decidido por me transportar de bicicleta e feito isso com alguma regularidade), eu nunca tinha participado de uma Massa Crítica ou Bicicletada (são a mesma coisa, mas com nomes diferentes. Veja o que é).  Passei a pé pela bicicletada de maio em SP, vi o pessoal reunido, mas não tinha sido dessa vez. Nas edições portoalegrenses, o fato de a concentração ser longe demais do meu trabalho, nunca deu tempo de chegar até lá. Enfim. Deu tudo certo nessa sexta-feira, também pelo clima: mesmo no rigoroso inverno que estamos atravessando, o padroeiro São Pedro nos deu calor e céu estrelado.

Então, agora, mais que da vontade de participar, eu vou contar da sensação de tê-lo feito: se pedalar sozinho é um ato de coragem em Porto Alegre, pedalar na Massa Crítica é um ato de liberdade. Em grupo, a gente também se sente mais seguro, em parte porque os motoristas, para quem em geral o ciclista é invisível, percebem você de maneira inevitável. O trânsito, aparentemente, pode ficar mais lento por causa do grupo de ciclistas, mas não: é a consciência dos motoristas que aflora de repente, pois não podem nem devem andar na velocidade que querem, pois ciclistas e pedestres existem, pois a vida existe para ser vivida fora da “bolha” de metal.

Algumas reações são violentas, principalmente as dos motoboys, naturalmente estressados por prazos e pela própria tensão do trânsito. Alguns motoristas xingam. Outros sorriem. Outros buzinam simpáticos. Nos pontos de ônibus também. Sorrisos. Sorrisos de volta. Distribuí uns panfletos nas paradas de ônibus, para que aquele pessoal que vai enfrentar o T3 cheio não queira ir de carro: que existe outra opção e ela, aos poucos, está coexistindo com carros, ônibus, motocicletas. Isso é multimodalidade.

Participaram da Massa Crítica de julho mais de 60 pessoas. E todo mundo gostou e achou ótimo, mesmo sendo uma única vez no mês. Em cidades como Utrecht, na Holanda, esse volume de gente é muito maior. E diariamente. Em Portland, nos Estados Unidos, também, e não há muitas ciclovias por lá. O espaço é compartilhado. O importante é que tanto a sociedade quanto os governos respeitem o que já está previsto em lei.

Artigo 58 do Código Brasileiro de Trânsito: “Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores”.

3 Respostas

  1. Olá Lívia!
    Também estive na última massa, realmente foi muito legal, e é muito bom perceber que a cada mês está ficando maior e melhor.
    No dia 27 de agosto estarei lá. E vou levar alguns amigos estreantes.
    Saudações ciclísticas!

    David
    Canoas RS

  2. […] julho de 2010 participei da massa crítica em Porto Alegre pela primeira vez. Eis as minhas impressões, na […]

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