O mau-gosto e as provocações infundadas

Causou polêmica entre os cicloativistas o texto em que a colunista da Folha de S. Paulo, Bárbara Gância, atacou a bicicletada e seus participantes por meio da imagem da jornalista Renata Falzoni. Os iniciais elogios à videorrepórter da ESPN Brasil viraram ataque à causa de Renata (e de todos os ciclistas, ativistas ou não). 

Houve muitas manifestações favoráveis à Renata, em vários blogs e no Twitter, mas acho que a mais relevante delas é a resposta da própria.

Réplica melhor não poderia ser feita. Sem nem considerar a deselegância da colunista da Folha com seu texto preconceituoso, a maioria das manifestações anti-bicicleta (e, por consequência, anti-ciclista, com generalizações e hostilidade) não leva em conta a dinâmica do mercado (já que a iniciativa pública e a vontade política frequentemente não se dobram à necessidade, mas à demanda): há demanda, cria-se uma oferta. O que se vê diariamente, tanto nas ruas de São Paulo quanto de outras capitais, é o aumento do número de ciclistas, reflexo de muitas coisas, inclusive do esgotamento natural da carrocracia, o que talvez não acontecesse se a população sempre tivesse tido pleno acesso a todos os modais de transporte. Um número maior de ciclistas nas ruas (e esse número vai aumentar muito mais) faz com que fabricantes de acessórios para ciclistas vendam mais; que mais bicicletas também sejam vendidas; que estabelecimentos instalem paraciclos para atender seus clientes ciclistas e que, lá no fim, o próprio governo atenda a essa demanda já consolidada construindo mais estrutura para o uso da bicicleta como meio de transporte.

Sobretudo, essa e outras manifestações soam como hostis à questão mais importante: a da liberdade individual. Mesmo com uma política que não prioriza nem o ciclista e muito menos o pedestre, estes dois agentes têm sua circulação e direito de ir e vir garantidos por lei. Não temos ciclovias, mas podemos estar na rua quando quisermos e sermos quanto quisermos e pudermos. Não há um número de ciclistas pré-determinados que possam circular por dia. Tampouco ferimos a liberdade do ir e vir de motoristas (ou de suas tentativas em meio aos engarrafamentos que eles próprios causam). Então por que a celeuma?

Por isso, ao ver gente ignorando até o viés mercantil da coisa, e também o da liberdade individual, mais esse discurso hostil me soa como fanático e, principalmente, ignorante e infundado.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: