Duas bicicletadas em uma semana

Fotos: Renata Ibis

Medo x alegria; agressividade x prazer. Foram sentimentos conflitantes que marcaram as duas bicicletadas que aconteceram em Porto Alegre no mês de setembro.

A primeira delas, simbolicamente importante, aconteceu no Dia Mundial Sem Carro. Enquanto a Bicicletada em São Paulo teve 800 pessoas reunidas de bicicleta, tomando vias impensáveis ao tráfego de bicicletas, como o túnel Ayrton Senna ou a Marginal Tietê (culminando numa incrível celebração), em Porto Alegre tivemos cerca de 30 ciclistas, que não ficam atrás dos 800 de São Paulo porque a cada dia, para nós, é um dia sem carro.

A falta de volume numérico, no entanto, não motiva motoristas a nos respeitarem. Pelo contrário. A fragilidade de um grupo pequeno tolda seu dinamismo e o torna alvo de gente que normalmente não enxerga o ciclista como um carro a menos, e sim como um inseto que pode (e, às vezes, deve) ser esmagado.  Na quarta-feira, 22 de setembro, Dia Mundial Sem Carro, uma pessoa que escolheu se locomover de bicicleta correu risco porque pedalava na frente de uma caminhonete. O problema do ressarcimento foi provavelmente resolvido. Uma roda de bicicleta custa bem menos que uma autopeça. E quanto custa a vida de uma pessoa? Que pressa ou raiva justifica colocar essa vida em risco?

A irregularidade e desumanidade não residem só aí. Na mesma noite, um carro oficial da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), na má-vontade em esperar o grupo passar, ligou a sirene, furou a massa de ciclistas, arrancando, e ultrapassou o sinal vermelho fazendo gestos ofensivos aos ciclistas. Se nem os órgãos públicos dão o exemplo de civilidade, o que esperar de toda uma sociedade?

No entanto, a esperança existe e se concretiza quando e onde menos se espera. Na Bicicletada tradicional, última sexta-feira de setembro, éramos quase 60 ciclistas. E muitos carros demonstraram um cuidado, na passagem, com o qual estamos ainda pouco acostumados; outros buzinaram em apoio (conseguimos perceber a diferença entre uma buzina de apoio e outra de hostilidade); pessoas pediam nossos panfletos. E pedalávamos cantando e convidando as pessoas a participar da próxima.

As reações foram diferentes: as nossas e a dos motoristas e pedestres. Mas percebemos que, numerosos, não assustamos nem atrapalhamos. Nos integramos, misturamos e, principalmente, compartilhamos. A ver olhares, rostos, pessoas, descobrimos que somos todos a mesma coisa. Gente com vontade de ser mais livre e mais feliz.

Vem! Vem pra Massa, vem!😀

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