Ser cicloativista no Dia Mundial Sem Carro

Neste ano, pessoas comuns falam mais do Dia Mundial Sem Carro que no ano passado. A insistência dos cicloativistas tem seus méritos. Furando a bolha de conforto, os ativistas chatos fazem governos, empresas e população refletirem sobre um modelo de cidade ultrapassado.

Uma moça no Twitter disse hoje: “1a. vez vim trabalhar de bike (Ipiranga-Barra Funda). Foi divertido! Conheci várias pessoas! Preciso praticar +. #vadebike” Não só ela, mas também outras pessoas, que têm relação clássica de rejeição a ativistas em geral mudam, mesmo que aos poucos, e pregam hábitos melhores. É um começo. Hoje, o secretário municipal Valter Nagelstein (de Porto Alegre) deu um bom exemplo e foi de bicicleta ao trabalho (http://yfrog.com/ke74tsrj). Se todos os outros gestores de governo fizerem o mesmo, muito há de melhorar.

Para 2012, a Prefeitura de Porto Alegre poderia colocar mais ônibus nas ruas e restringir estacionamentos para a população aderir, a exemplo do Rio de Janeiro e do governo do Estado de São Paulo, que aumentou a frequência dos trens metropolitanos. Uma prova de que as mentalidades dos gestores públicos podem estar começando a mudar é que a Prefeitura de Porto Alegre usou o termo “bicicletada” para o passeio que promoveu o início das obras da ciclovia da Av. Ipiranga, expressão essa criada pelos cicloativistas de São Paulo anos atrás.

Mesmo com a heterogeneidade de qualquer movimento social, o cicloativismo ajuda a mudar os paradigmas da mobilidade no país. A necessidade de abandonar o atual modelo de mobilidade, centrado no automóvel, tem a adesão de pessoas comuns, que transcendem o cicloativismo. Tachar cicloativistas como “esquerda” ou “direita” ou “anarquistas” é um conceito ultrapassado. Pessoas enxergam demandas urgentes, conflitos que atingem a todos. Todos somos obrigados a arcar com os engarrafamentos e a poluição provocada pelos automóveis, independente de filiação política ou identificação ideológica. Questionar esse e qualquer status é exercer a liberdade de ser cidadão.

Feliz Dia Mundial Sem Carro a todos!

4 Respostas

  1. Será que ele foi mesmo? Ou foi só pose para a foto? E ainda na calçada!!!!

  2. Foi sim, Olavo, o secretário usa bici e moto, segundo o próprio. Posar pra foto todo mundo pode posar, né?🙂 Até você e eu. E o que importa é o exemplo. Pessoa vê outra na bici, vê que é possível, perde o medo de tentar. Pode ser ele, pode ser qualquer um.

  3. ô Lívia, acho que tu poderia escrever mais no VadeBici!😛
    Parabéns!

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