Baixe o Plano Cicloviário!

Nova seção no Bike Drops: agora você tem acesso, para download, ao Plano Cicloviário de Porto Alegre, que regulamenta e torna obrigatória em Porto Alegre a implantação de ciclovias, bem como a adoção de uma política que beneficie todo o trânsito a partir do compartilhamento das ruas com todos os tipos de transporte.

Aqui, você poderá baixar a Lei Complementar 626 na íntegra, bem como o Resumo Executivo do Plano, que contém os estudos preliminares que nortearam a confecção da Lei, com dados e estatísticas. O conhecimento das possibilidades legais que temos na cidade é essencial para que façamos as cobranças certas, com base no que já é obrigação do Município.

Local e global

 Do Correio do Povo de hoje (já que não tem link direto para a matéria, transcrevo aqui):

 Plano cicloviário se integra a metrô

As alterações no transporte com a aplicação do Plano Diretor Cicloviário Integrado, da prefeitura de Porto Alegre, foram apresentadas ontem aos funcionários da Trensurb. O encontro, no auditório da empresa, serviu para explicar como será a integração entre o transporte cicloviário e o metrô. Um dos pontos será na Sertório. O eixo irá ligar a Estação Farrapos com a avenida Francisco Silveira Bittencourt. O arquiteto da Empresa Pública de Transporte e Circulação Régulo Ferrari ressaltou as melhorias do novo sistema. Avaliou que não basta implantar o modelo, é necessário criar as condições de infra-estrutura e sinalização. O gerente de Mobilidade Urbana da Trensurb, Sidemar da Silva, defendeu a união de ações para melhorar o transporte em Porto Alegre. Ele ressaltou que a ciclovia será alternativa para o deslocamento. ‘A União estimula projetos que criam formas de transporte não motorizado.’
Ferrari, coordenador do grupo que elaborou o projeto, lembrou que o plano irá alterar a paisagem de Porto Alegre. ‘A idéia é criar uma rede permanente para as pessoas irem ao trabalho ou à escola de bicicleta e não usar apenas para lazer.’ A prefeitura deve investir R$ 2 milhões em 2009, no início da aplicação do projeto, que é debatido na Câmara.

E, abordando algumas das tendências para o uso da bicicleta fora do Brasil, a colunista Lurdete Ertel, da Zero Hora, aponta como uma new vogue in New York o uso das bicicletas elétricas como alternativa à alta dos combustíveis que alimentam seus odiosos utilitários esportivos (que usamos cada vez mais aqui – por que só assimilamos o que é ruim?). Com bateria recarregável e autonomia de até 150 quilômetros, a magrela elétrica – hmmm – está virando moda também na terra da Vélib, Paris, onde foram vendidas 10 mil unidades no ano passado. O importante é não poluir, mas eu ainda prefiro o uso da energia humana.

 

Ciclovias em foco

Ontem e hoje, três dos principais jornais de Porto Alegre deram destaque à questão do Plano Diretor Cicloviário de Porto Alegre.

Na Zero Hora, 30/06, um alerta: o projeto apresentado pelo prefeito à câmara, na semana passada, pode demorar mais que o previsto por conta da burocracia;

No Jornal do Comércio de hoje (e em site próprio), o colunista Affonso Ritter diz que as ciclovias não vão ficar no papel;

E, finalmente, no Correio do Povo, o ministro das Cidades, Márcio Fortes de Almeida, defendeu a utilização das bicicletas. Como o link é só para assinantes, transcrevo o texto abaixo.

Ministro defende o uso de bicicletas
 
Durante a assinatura do protocolo para estudo de integração do transporte coletivo na região Metropolitana, o ministro das Cidades, Márcio Fortes de Almeida, defendeu, ao desestimular o uso dos carros, a utilização de bicicletas. ‘As cidades estão intransitáveis. É preciso achar formas de estimular o transporte coletivo’, complementou.
O ministro ainda destacou que a ação conjunta entre os governos federal, estadual e municipal não é de hoje. ‘Estamos modernizando os convênios e já podemos sonhar com uma ação mais efetiva’, disse. Falou ainda sobre a necessidade de um transporte mais eficaz e que integre os diferentes modais. O futuro Sistema Integrado de Transporte consiste na integração física e operacional de todos os modos, através de pontos de conexão (metrô e ônibus articulado) com a rede alimentadora (ônibus convencional e outros modos), e na integração tarifária, por meio do bilhete eletrônico. Foram assinados também, na mesma solenidade, contrato entre governo do Estado, Caixa Econômica Federal e Ministério das Cidades para elaboração do Plano Estadual de Habitação de Interesse Social, e um convênio para desconto em folha de financiamento de imóveis a servidores públicos estaduais pela Caixa Econômica Federal.

Audiência Pública

Afinal eu fui. E vi os ciclistas noturnos do Poa Bikers marcando presença no plenário da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, com seus capacetes, suas luzinhas e suas lindas bikes. E vi os representantes dos demais movimentos ciclísticos da cidade, meio perdida por não saber quem era quem. Vi o Poti Campos, jornalista que assina a coluna sobre Bikes no jornal Zero Hora e os vereadores Mauro Zacher e Beto Moesch. Todos, à sua maneira, defenderam brilhantemente a necessidade premente da implantação do Plano Diretor Cicloviário de Porto Alegre, que foi apresentado pelo prefeito José Fogaça ao presidente da Câmara, Sebastião Melo, na tarde de ontem. Plano esse que nos foi apresentado pelo arquiteto Reglo Ferrari, da prefeitura, contemplando seus objetivos e necessidades.

Mas quem realmente tocou meu coração foi um senhor muito eloqüente, de cabecinha branca, membro da Associação de Usuários do Parque Farroupilha, que disse que, mais que lutarmos pela implantação de uma malha cicloviária e necessários equipamentos como bicicletários, semáforos, faixas, etc, o pessoal precisa é “por a magrela na rua”, para que todo mundo veja que, sim, há demanda para que essas obras sejam implementadas.

Ele disse tudo o que eu acho. Cidades como Portland, nos Estados Unidos, nem tem muitas ciclovias, mas tem um negócio maravilhoso e simples, chamado “tráfego compartilhado”, que é basicamente o sujeito que está no carro respeitar a circulação daquele que está sobre a bicicleta, especialmente pelo fato de que o ciclista está fisicamente mais vulnerável. É o grande respeitando o pequeno, filosofia simples e de grande poesia que infelizmente é praticada aqui totalmente ao contrário.

No entanto, entendo que atualmente o mais barato e menos trabalhoso é implantar uma rede de ciclovias, pois o investimento em educação para o trânsito sempre parece ser, para o poder público, muito mais custoso emocionalmente (é preguiça) e demanda longo prazo para dar resultados.

Mas não tá morto quem peleia – virj, engauchei total. 😉