Minhas bici-férias

Com mais de 20km de ciclovias, Santos e outras cidades do litoral paulista, beneficiadas por um terreno plano e a brisa do mar, estão apostando no uso da bicicleta como provedora de qualidade de vida e qualidade na mobilidade. A população aderiu: diariamente utiliza não só a malha cicloviária mas as vias públicas que lhes são de direito para ir trabalhar, passear, fazer compras, ir e vir, a ponto de causarem, em alguns pontos e horários, um engarrafamento de bicicletas (a considerar alargamento das vias destinadas às magrelas, né não?).

Santos também é minha cidade Natal, embora confesse que só fui usar a bici como transporte bem depois, em Bauru e em Porto Alegre. Esses são alguns registros que fiz das ciclovias e dos bicicletários abarrotados de beach-bikes (de baixo custo, super populares por lá), que estão no lugar certo: ocupando vagas outrora ocupadas por carros. Veja quantas bicis cabem onde caberia só um carro. E repense seus conceitos.

Utrecht também no Brasil

A hora do rush de bicicletas na cidade holandesa de Utrecht faz muito sucesso entre os internautas. Mas o alto fluxo de bicicletas não é privilégio apenas dos Países Baixos ou da Dinamarca. Em pleno litoral de São Paulo, na divisa das cidades de São Vicente e Santos, é tanta bicicleta circulando que até dá engarrafamento. Será que não é hora de considerar o alargamento da ciclovia, além de uma sinalização melhor?

Afora, eu, que sou santista de nascimento, desejo para Porto Alegre o mesmo que acontece no litoral paulista.

A metamorfose santista

ciclovia_praiaNão, nada relacionado à respeitável equipe futebolística da Vila Belmiro. A metamorfose a que me refiro, na minha cidade natal, Santos, diz respeito à forma como as pessoas estão se deslocando. Fui para lá nesse carnaval e gostei do que vi.

Não que Santos não tivesse ciclovias. A primeira delas data de menos de dez anos e tinha uns 4 km. Depois, há cinco anos, foi inaugurada outra ciclovia maior, de 7 km, ao longo do lindíssimo jardim que margeia a orla da praia. Atualmente, Santos possui, ao todo, 19 km de ciclovias, que tendem a ser estendidas com a ampliação das obras já existentes e sua interligação. O que está acontecendo, a olhos vistos, é o crescente aumento da demanda por esses novos caminhos. Gente indo e vindo com magrelas de todos os modelos (o mais frequente é a cruiser californiana, sem marchas, já que a Baixada Santista é toda plana, mesmo) e, cedo na manhã, um batalhão de trabalhadores vindos das cidades vizinhas com suas barra-fortes. Tanta gente, claro, não se atém só às ciclovias e percorrem as ruas e avenidas. O que parece é que, salvo exceções (sempre há, infelizmente nesse caso), os motoristas estão se acostumando bem a essa desejada convivência.

Exemplo que Porto Alegre podia seguir, né?

Update: li essa matéria no site da Prefeitura de Santos e da qual destaco a seguinte informação:  “A importância da bicicleta como meio de transporte ficou comprovada pela pesquisa, que registrou 303.295 viagens/dia, o equivalente a 15% do total de deslocamentos. Para efeito comparativo, o estudo realizado na Região Metropolitana de São Paulo apontou que a bicicleta é usada por apenas 0,7% das pessoas”.  Segundo o texto, esse dado foi obtido na Pesquisa Origem e Destino, realizada pela Secretaria de Estado de Transportes Metropolitanos, de São Paulo. Penso que, mesmo incluindo a grande parte de pessoas que vêm de cidades vizinhas como São Vicente e Praia Grande, por onde a ciclovia também passa, o índice é altíssimo. Mas, se levarmos em conta que a bike é responsável por 40% dos deslocamentos em Amsterdã, acho que o cenário santista é dos mais interessantes.

No Ridjanêro, as notícias também são animadoras. 🙂