Iniciativa Privada

Na coluna Bike (dentro do caderno Sobre Rodas) da Zero Hora, o jornalista Poti Campos conta que, daqueles 495km de rede cicloviária potencial da capital gaúcha, boa parte será feita pela iniciativa privada. Como, desde dezembro do ano passado, existe uma instrução que torna obrigatória a inclusão de ciclovias em ruas que sejam abertas ou alteradas por novos empreendimentos, já existem 15 licenças que prevêem a construção de vias exclusivas para a circulação das bikes.

Bão, né? A notícia completa você pode conferir aqui.

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Seguindo o exemplo de Londres?

Às 19h de hoje, acontece na Câmara de Porto Alegre uma audiência pública sobre o Plano Diretor Cicloviário da cidade, que deve ser entregue hoje à tarde ao presidente da Câmara, Sebastião Melo, pelo prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, e o secretário municipal de mobilidade urbana, Luis Afonso Senna. O fato é notíciado pela coluna Informe Especial, da Zero Hora, e pelo Jornal O Sul.

Aliás, também n’O Sul saiu matéria interessante intitulada “Quem quer se eleger em Londres tem que andar de bicicleta”, mostrando que a nova tendência dos políticos em campanha não é mais beijar criancinhas e sim dar o exemplo pedalando pelas ruas da capital inglesa. Segundo a matéria:

Trata-se, porém, de algo mais que jogo político e reflete uma tendência desses tempos em que o preço dos combustíveis ameaçam chegar à estratosfera e de alta preocupação ambiental: os britânicos estão realmente voltando os olhos para a bicicleta como uma solução de transporte (…)

(…) um em cada sete londrinos utiliza os veículos regularmente. Na última quinta-feira, foi a vez do anúncio de uma estratégia nacional de estímulo ao ciclismo, com um investimento de US$ 200 milhões do governo britânico, utilizando como piloto a cidade portuária de Bristol, que ganhará o primeiro esquema de aluguel de bicicletas, como já acontece em várias cidades européias.

Vamos pedalando na direção certa, nem que seja devagarinho. Ah… e se eu conseguir aparecer na audiência, amanhã conto para vocês como foi.

Ciclovia para quem precisa

Afinal, os 18km efetivos do plano diretor cicloviário da capital gaúcha são 17,6 quilômetros, divididos em três diferentes vias a serem concluídas ainda em 2008. É o que o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, anunciou ontem, de acordo com os jornais Zero Hora e Correio do Povo. (Confira o mapa do plano cicloviário, publicado na ZH de hoje)

Serão 7,8km de ciclofaixa nas avenidas Sertório e Assis Brasil, 6,6km de ciclovia na avenida Ipiranga, ao longo da margem do Arroio Dilúvio, entre a PUC e a av. Borges de Medeiros e mais 3,3 km na Av. João Antônio da Silveira, na Restinga. Esses trechos foram considerados pela prefeitura os que mais têm demanda, por já possuirem um considerável movimento de bicicletas. Na Av. Ipiranga, a capacidade é de haver 10 mil viagens diárias.

De acordo com o Correio do Povo, o prefeito externou sua preocupação em relação à continuidade do projeto no caso de mudança de governos, coisa que pode acontecer com as eleições de outubro.

Meus adendos: eleitoreira ou não, a execução dessas ciclovias é necessária, então mãos à obra. Eleito o Fogaça, os ciclistas cobrarão a execução de pelo menos mais uma parte dos 495km capacitados a receber ciclovias. No caso de não o elegermos, lembro a vocês que, sem discutir a capacidade ou competência da candidata Manuela D’Ávila, do PCdoB (cujo slogan de campanha à Câmara Federal foi: “E aí, beleza?”), é ela quem tem se pronunciado em Brasília sobre a questão cicloviária. Cabe tentar saber dos demais candidatos suas propostas para o tema e não votar em quem não inclui-lo em sua campanha, já que é uma necessidade que engloba meio-ambiente, educação e transporte.

Outro adendo vai para um trecho da matéria do Correio do Povo, que diz que: “Ela [ciclovia da Av. Ipiranga] deverá ser construída sobre a grama junto ao Arroio Dilúvio, sem invadir o espaço dos veículos”. Invadir? Bicicletas, motos e pedestres fazem parte do trânsito. Mesmo na ausência de uma ciclovia, as bicicletas têm o direito – e a necessidade – de estar nas ruas e serem respeitadas pelos condutores dos demais veículos, e vice-versa. Na verdade, a invasão está ocorrendo por parte das centenas de novos carros particulares que entram em circulação diariamente e que estão provocando um “enfarto” nas vias públicas, sem mencionar o desrespeito às leis, o estacionamento em locais proibidos e a total ignorância em relação ao pedestre que, sendo uma pessoa humana, deveria ter mais acesso ao espaço público que as máquinas cada vez maiores que ocupam áreas que mal dão conta de seu tamanho.