Baixe o Plano Cicloviário!

Nova seção no Bike Drops: agora você tem acesso, para download, ao Plano Cicloviário de Porto Alegre, que regulamenta e torna obrigatória em Porto Alegre a implantação de ciclovias, bem como a adoção de uma política que beneficie todo o trânsito a partir do compartilhamento das ruas com todos os tipos de transporte.

Aqui, você poderá baixar a Lei Complementar 626 na íntegra, bem como o Resumo Executivo do Plano, que contém os estudos preliminares que nortearam a confecção da Lei, com dados e estatísticas. O conhecimento das possibilidades legais que temos na cidade é essencial para que façamos as cobranças certas, com base no que já é obrigação do Município.

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A metamorfose santista

ciclovia_praiaNão, nada relacionado à respeitável equipe futebolística da Vila Belmiro. A metamorfose a que me refiro, na minha cidade natal, Santos, diz respeito à forma como as pessoas estão se deslocando. Fui para lá nesse carnaval e gostei do que vi.

Não que Santos não tivesse ciclovias. A primeira delas data de menos de dez anos e tinha uns 4 km. Depois, há cinco anos, foi inaugurada outra ciclovia maior, de 7 km, ao longo do lindíssimo jardim que margeia a orla da praia. Atualmente, Santos possui, ao todo, 19 km de ciclovias, que tendem a ser estendidas com a ampliação das obras já existentes e sua interligação. O que está acontecendo, a olhos vistos, é o crescente aumento da demanda por esses novos caminhos. Gente indo e vindo com magrelas de todos os modelos (o mais frequente é a cruiser californiana, sem marchas, já que a Baixada Santista é toda plana, mesmo) e, cedo na manhã, um batalhão de trabalhadores vindos das cidades vizinhas com suas barra-fortes. Tanta gente, claro, não se atém só às ciclovias e percorrem as ruas e avenidas. O que parece é que, salvo exceções (sempre há, infelizmente nesse caso), os motoristas estão se acostumando bem a essa desejada convivência.

Exemplo que Porto Alegre podia seguir, né?

Update: li essa matéria no site da Prefeitura de Santos e da qual destaco a seguinte informação:  “A importância da bicicleta como meio de transporte ficou comprovada pela pesquisa, que registrou 303.295 viagens/dia, o equivalente a 15% do total de deslocamentos. Para efeito comparativo, o estudo realizado na Região Metropolitana de São Paulo apontou que a bicicleta é usada por apenas 0,7% das pessoas”.  Segundo o texto, esse dado foi obtido na Pesquisa Origem e Destino, realizada pela Secretaria de Estado de Transportes Metropolitanos, de São Paulo. Penso que, mesmo incluindo a grande parte de pessoas que vêm de cidades vizinhas como São Vicente e Praia Grande, por onde a ciclovia também passa, o índice é altíssimo. Mas, se levarmos em conta que a bike é responsável por 40% dos deslocamentos em Amsterdã, acho que o cenário santista é dos mais interessantes.

No Ridjanêro, as notícias também são animadoras. 🙂

Imobilidade em Porto Alegre

Tá, é uma vigônha estar entocada em casa nesse momento de chuva/inverno/praticamente neve que assola a província de São Pedro, mas admito, de cara lavada, que sumi.

Sumiu também (há sei lá quanto tempo) a única ciclovia fora da orla do lago Guaíba que, por enquanto, temos: o “caminho dos parques”, que é na verdade uma ciclofaixa que funciona apenas aos domingos e feriados, dia em que o estacionamento sobre esse trecho, que liga os parques Moinhos de Vento (Parcão), Farroupilha (Redenção) e Maurício Sirotsky Sobrinho (Harmonia), é proibido. Apesar da tinta que marcava a ciclofaixa estar apagada na maior parte dos trechos, as placas de proibição de estacionamento ao longo da via não impediram que um grande número de motoristas estacionasse seus carros e acabasse com o espaço parco destinado ao trânsito de bicicletas.

Pelo que ouvi falar de fonte fidedigna, a EPTC (Empresa Pública de Transporte e Circulação) só multa os desavisados que esqueceram de tirar o carro de lá de sábado para domingo, isso bem de manhãzinha. Conforme o meio-dia se aproxima, as multas cessam e qualquer mané pode ir lá estacionar o possante, que ninguém faz nada. Eu, posando de chata louca, se pegava algum motorista saindo do carro recém-estacionado, dava um gritão bem na cara do infeliz, dizendo “não sabias que é proibido estacionar na ciclovia”? Mas obviamente não adiantou, nunca adianta se a punição não vem.

Prometo, em breve, dar mais notícias a respeito.

Iniciativa Privada

Na coluna Bike (dentro do caderno Sobre Rodas) da Zero Hora, o jornalista Poti Campos conta que, daqueles 495km de rede cicloviária potencial da capital gaúcha, boa parte será feita pela iniciativa privada. Como, desde dezembro do ano passado, existe uma instrução que torna obrigatória a inclusão de ciclovias em ruas que sejam abertas ou alteradas por novos empreendimentos, já existem 15 licenças que prevêem a construção de vias exclusivas para a circulação das bikes.

Bão, né? A notícia completa você pode conferir aqui.

Ciclovias em foco

Ontem e hoje, três dos principais jornais de Porto Alegre deram destaque à questão do Plano Diretor Cicloviário de Porto Alegre.

Na Zero Hora, 30/06, um alerta: o projeto apresentado pelo prefeito à câmara, na semana passada, pode demorar mais que o previsto por conta da burocracia;

No Jornal do Comércio de hoje (e em site próprio), o colunista Affonso Ritter diz que as ciclovias não vão ficar no papel;

E, finalmente, no Correio do Povo, o ministro das Cidades, Márcio Fortes de Almeida, defendeu a utilização das bicicletas. Como o link é só para assinantes, transcrevo o texto abaixo.

Ministro defende o uso de bicicletas
 
Durante a assinatura do protocolo para estudo de integração do transporte coletivo na região Metropolitana, o ministro das Cidades, Márcio Fortes de Almeida, defendeu, ao desestimular o uso dos carros, a utilização de bicicletas. ‘As cidades estão intransitáveis. É preciso achar formas de estimular o transporte coletivo’, complementou.
O ministro ainda destacou que a ação conjunta entre os governos federal, estadual e municipal não é de hoje. ‘Estamos modernizando os convênios e já podemos sonhar com uma ação mais efetiva’, disse. Falou ainda sobre a necessidade de um transporte mais eficaz e que integre os diferentes modais. O futuro Sistema Integrado de Transporte consiste na integração física e operacional de todos os modos, através de pontos de conexão (metrô e ônibus articulado) com a rede alimentadora (ônibus convencional e outros modos), e na integração tarifária, por meio do bilhete eletrônico. Foram assinados também, na mesma solenidade, contrato entre governo do Estado, Caixa Econômica Federal e Ministério das Cidades para elaboração do Plano Estadual de Habitação de Interesse Social, e um convênio para desconto em folha de financiamento de imóveis a servidores públicos estaduais pela Caixa Econômica Federal.

Audiência Pública

Afinal eu fui. E vi os ciclistas noturnos do Poa Bikers marcando presença no plenário da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, com seus capacetes, suas luzinhas e suas lindas bikes. E vi os representantes dos demais movimentos ciclísticos da cidade, meio perdida por não saber quem era quem. Vi o Poti Campos, jornalista que assina a coluna sobre Bikes no jornal Zero Hora e os vereadores Mauro Zacher e Beto Moesch. Todos, à sua maneira, defenderam brilhantemente a necessidade premente da implantação do Plano Diretor Cicloviário de Porto Alegre, que foi apresentado pelo prefeito José Fogaça ao presidente da Câmara, Sebastião Melo, na tarde de ontem. Plano esse que nos foi apresentado pelo arquiteto Reglo Ferrari, da prefeitura, contemplando seus objetivos e necessidades.

Mas quem realmente tocou meu coração foi um senhor muito eloqüente, de cabecinha branca, membro da Associação de Usuários do Parque Farroupilha, que disse que, mais que lutarmos pela implantação de uma malha cicloviária e necessários equipamentos como bicicletários, semáforos, faixas, etc, o pessoal precisa é “por a magrela na rua”, para que todo mundo veja que, sim, há demanda para que essas obras sejam implementadas.

Ele disse tudo o que eu acho. Cidades como Portland, nos Estados Unidos, nem tem muitas ciclovias, mas tem um negócio maravilhoso e simples, chamado “tráfego compartilhado”, que é basicamente o sujeito que está no carro respeitar a circulação daquele que está sobre a bicicleta, especialmente pelo fato de que o ciclista está fisicamente mais vulnerável. É o grande respeitando o pequeno, filosofia simples e de grande poesia que infelizmente é praticada aqui totalmente ao contrário.

No entanto, entendo que atualmente o mais barato e menos trabalhoso é implantar uma rede de ciclovias, pois o investimento em educação para o trânsito sempre parece ser, para o poder público, muito mais custoso emocionalmente (é preguiça) e demanda longo prazo para dar resultados.

Mas não tá morto quem peleia – virj, engauchei total. 😉

Contraste entre o plano e a prática

Enquanto isso, no mundo factual, a coluna Informe Especial da Zero Hora, traz hoje três notas a respeito do assunto, informando que o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, recebeu na última sexta-feira o Plano Diretor Cicloviário da capital gaúcha. O documento identifica 495 km de ruas e avenidas promissoras a abrigar ciclovias e ciclofaixas. O diagnóstico é animador, mas, por enquanto, existe previsão apenas para a execução de 18km de percurso, nada que chegue aos 300km das ciclorutas de Bogotá, Colômbia.

Em compensação, Porto Alegre trata mal o pouco que tem. Nossa “tintovia” (faixa vermelha que demarca exclusividade para o trânsito de ciclistas em algumas das ruas da cidade, APENAS NOS DOMINGOS E FERIADOS) é constantemente desrespeitada por motoristas que usam o espaço como estacionamento. Não fosse apenas o fato de que eles ignoram as placas, a tintovia carece de retoque: na maior parte do percurso, a faixa está quase totalmente apagada.

A terceira nota é sobre o malucão Robert Maddox, que acoplou à sua bicicleta com uma turbina movida a querosene, que faz a bichinha chegar a 120 km/h e gastar 2 litros de querosene a cada arrancada. Coisa besta, sô. Quem quiser conferir a bici do vivente, uma Schwinn modelo cruiser, pode conferir lá no Pedaleiro.